terça-feira, 17 de junho de 2014

DOR CRÓNICA

 Etapa 2 - Conquistar a Dor





Paula Lourenço de Azevedo

Tendo vencido a dificuldade que mantive durante muitos anos, em respirar normalmente (ver Testemunho: Etapa 1. Sobreviver. Respirar. Viver), o Dr. Joaquim propôs-me uma segunda etapa do tratamento para minimizar ou mesmo erradicar a dor no peito, diagnosticada como síndrome de Tietze.

A medicina tradicional não encontrou até ao momento cura para esta doença, prescrevendo anti-inflamatórios, antidepressivos e muito descanso. Esforços inúteis há muito que deixara de fazer. Nadar e dançar foi com muita tristeza que deixei de praticar. Até secar o cabelo me provocava uma fadiga enorme.

Nas sessões que logo retomei, percebi nova coisa: a importância de falar com a dor, de a tornar minha amiga. Sim, ela já tinha dado sinais de ser amiga. “O que é que a dor já fez por ti?”, perguntou o meu médico. Esse foi outro momento inesquecível: sim, já fez, ao alertar-me, fazer-se violentamente sentir, lembrara-me dos desgostos porque passara e tinha evitado que eu retomasse uma situação afetiva dispensável.

O facto de há meses não praticar a respiração traumatizante aliviou a pressão que sentia e, claro, as palavras, a inteligência com que fui sendo acompanhada ajudaram-me, têm-me ajudado a perceber a boa influência da hipnose e da auto-hipnose, a sintonia que existe entre corpo e pensamentos, qual a raiz da minha questão e a ter cuidado para não substituir aquela dor por outra, noutro lado do corpo. É um trabalho contínuo, sem fim, o de tratarmos de nós próprios, o de lutarmos pela qualidade da nossa vida.


Já quase não se faz sentir, a dor.
Obrigada Joaquim, uma vez mais.