TRAUMA


SABE O QUE CARREGA?

 FILME “UP IN THE AIR” ou “NAS NUVENS” (2009)


No filme “Nas Nuvens” Ryan Bingham (George Clooney) socorre-se da metáfora da MOCHILA DA VIDA para captar a atenção de uma audiência.

Como protagonista da sua fita, guardião do seu guião de vida, convido-o a explorar uma experiência de AUTOANÁLISE acessível e fulcral.




IMAGINE essa mochila ou mala, 

tão invulgar, preciosa e potencialmente reveladora, como portadora do seu acervo de:
  
Memórias do Passado;
Perceções do Presente;
Projeções do Futuro.


Simplesmente descubra, desenhe, sinta esse objeto a ganhar contornos, dimensão, lá no íntimo do seu pensamento. Se preferir, incline-se confortavelmente para trás e quando sentir-se preparado bastará fechar os olhos, acompanhar a cada expiração o relaxamento gradual das pálpebras, do maxilar inferior, de todo o corpo e seguir em frente.

Comece por explorar as lembranças que atravessam o tempo, os registos referentes ao presente e o que antecipa para o futuro, num dormitar lúcido, com a criatividade do olhar da criança que já foi. Poderá ir ao encontro das respostas a partir das suas interrogações ou tomar como orientação  algumas das sugestões que lhe proponho:


EXTERIOR
  • Como seria o aspecto exterior da mochila ou mala?
  • Teria algo que gostasse de alterar?


INTERIOR
  • Que partes constituiriam o núcleo dos indispensáveis, dos quais não abriria mão?
  • Que partes dariam corpo aos “balões de hélio”, neutralizadores de pesos e impulsionadores da alegria de viver?
  • Quais as responsabilidades que encontraria, que lhe apontam um rumo, um propósito, o fazem avançar. Um cão que aguarda a sua chegada, um filho que necessita da sua presença, um amigo que conta consigo, um projeto que abraçou com paixão?
  • O que estaria fora que gostaria de ter dentro da mochila? Qual seria o investimento necessário para integrar esses aspetos? Como seria o cronograma das mudanças?
  • Que partes necessitariam de encolher? A que partes daria mais espaço?
  • Que partes reconheceria como não sendo suas?
  • O que deixaria para trás?


CONJUNTO
  • Passado, presente e futuro criariam sinergias ou pauzinhos na engrenagem?
  • Com que leveza faria acompanhar-se da sua mochila ou mala da vida? Sentir-se-ia confortável?
  • Quais os sentimentos dominantes que emergem desta reflexão?
  • Essa mochila ou mala figurativa será que ocultaria pesos mortos, que consomem o presente e ensombram o futuro, como medo, raiva, tristeza, culpa, ou simplesmente aperto e dor?
  • Por último, para os momentos em que todos os males se soltam qual seria o espaço consagrado à força da consolação pela esperança?








TRAUMA

palavra oriunda do grego, significa ferida. O trauma psicológico é um tipo de dano emocional que ocorre como resultado de uma experiência, ou uma série de acontecimentos repetidos, de dor e sofrimento emocional ou físico. O surgimento de lesões na alma: quem sofre ou agride; em que contexto ocorre; intensidade e evolução dos sintomas; é tão imprevisível como a ocorrência de fraturas ósseas ou qualquer outro tipo de ferimento (trauma físico), dependendo do cruzamento de múltiplos fatores. No caso dos traumas psicológicos esses fatores são: genéticos, socioculturais, tipo de personalidade e as características do perfil (o quê?, quem?, onde?, quando?, como?, intensidade?, antecedentes?, apoio / atenuantes / agravantes?, evolução?) do evento.



CAUSAS possíveis de traumas psicológicos

Experiência ou testemunho de um evento traumático que origina um sentimento de completo desamparo diante de uma ameaça real ou subjetiva, que abala as certezas do indivíduo e o coloca num estado de extrema confusão e insegurança:  
  • Situações emocionais ou físicas severas na infância;
  • Parto, aborto;
  • Perda de entes queridos;
  • Separação conjugal;
  • Demissão;
  • Traição, desilusão ou privação sofrida;
  • Acidentes, tratamentos médicos, doenças (amputações, ataque cardíaco, cancro, HIV, etc.);
  • Violência emocional e/ou física (estupro, assalto, roubo, abuso verbal, chantagem, humilhação, bullying, etc.);
  • Guerras, catástrofes naturais;



SINTOMAS possíveis de traumas emocionais

 1. LOGO após o evento:
  • Hipervigilância (sensação de estar alerta o tempo todo), sobressaltos diante de estímulos neutros mínimos, perceção de que a vida está em perigo e a integridade física ameaçada, desamparo;
  • Revivência do trauma por meio de lembranças, pesadelos recorrentes e pensamentos intrusivos, insónias;
  • Respostas emocionais exageradas, mudanças abruptas de  humor, irritabilidade, explosões de fúria;
  • Vergonha, falta de autoestima;
  • Alterações do sistema endócrino, metabólico, imunitário e hormonal.


2. APÓS o primeiro impacto, meses ou anos após o evento:


2.1 EMOCIONAIS / COMPORTAMENTAIS
  • Ansiedade e fobias, ataques de pânico, sensação de perda de controlo, de estar preso, encurralado;
  • Comportamentos obsessivos compulsivos; 
  • Medo de morrer ou de ter uma vida curta;
  • Comportamentos de evitação (evitar lugares, atividades, movimentos, lembranças ou pessoas);

  • Colapso das crenças básicas de suporte (espiritual, religiosa e interpessoal);
  • Sensações de desapego, alienação e isolamento;
  • Redução da habilidade de formular planos;
  • Depressão e sensação de castigo iminente; 

  • Diminuição de respostas emocionais;
  • Inabilidade de amar ou se comprometer com outras pessoas;
  • Atividade sexual exagerada ou diminuída;

  • Comportamentos de vícios (comer demais, beber, drogas, etc.);
  • Comportamentos de risco, atração por situações de perigo;
  • Automutilação (cortar-se, elevado número de piercings);
  • Conflitualidade, perturbações familiares, prejuízo do desempenho profissional, recusa ou dificuldade em seguir regras ou ordens;

 2.2 MENTAIS
  • Amnésia (“brancas” de memória e esquecimentos);
  • Dificuldade de concentração e de tomada de decisões;

 2.3 FÍSICOS
  • Sintomas físicos não explicáveis medicamente;
  • Fadiga crónica ou baixa energia física;
  • Transtornos alimentares inexplicáveis;
  • Problemas imunológicos e determinados problemas endócrinos como o mal funcionamento da tiroide;
  • Alterações cardiovasculares;
  • Asma;
  • Doenças Psicossomáticas, particularmente dores de cabeça, enxaquecas, problemas no pescoço e costas, dores crónicas;
  • Fibromialgia;
  • Disfunção da articulação temporomandibular (por exemplo o bruxismo: ranger os dentes);
  • Síndrome severa pré-menstrual;
  • Problemas digestivos;
  • Problemas de pele.







TRAUMA 2

 SABER DEIXAR PARTIR



Michael Magrath - Lot's Tribe - Escultura em sal
 

 Tristeza dissipa-se devagar





Esta e outras esculturas em sal estiveram patentes, à partir do dia 11 de setembro de 2006, no exterior (Occidental Square) da cidade Seattles, nos EUA. As vítimas da guerra do Iraque foram recordadas a partir de fotos da Associates Press, ressuscitadas nas figuras em tamanho real de homens, mulheres e crianças, cujas tristezas e sofrimento acabaram por partir nas chuvas do tempo.

Diz-se que o tempo cicatriza as feridas do corpo e da alma. E quando isso não acontece, ou pior, o processo é de deterioração?



A ARTE nas suas múltiplas manifestações tem auxiliado a humanidade a suplantar, a sublimar os pesadelos da insanidade da sua existência e a manter assim, acesa a chama da fé na sua nobreza.


Comungámos com o mundo a paixão lusitana, esse jeito catártico de embalar e afogar as mágoas com as lágrimas do Fado:


 Debaixo da água
Vai morrendo o meu sonho.
Vai morrendo dentro do navio.
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


(Naufrágio – Amália Rodrigues,
poema de Cecília Meireles)
 Quando canto não penso
No que a vida é de má.
Nem sequer me pertenço.
Nem o mal se me dá.
Chego a querer a verdade
E a sonhar - sonho imenso -
Que tudo é felicidade
E tristeza não há.

(Que Deus me perdoe – Amália Rodrigues
Autor: João Silva Tavares)



Isabel Muñoz - Flamenco

O Flamenco como território da dor: 
paixão, amor, morte, dor
nascimento


“11-M” significa:
11 de Março de 2004, Madrid;
10 explosões; Quatro comboios;
A morte de 191 pessoas; Mais de 1.700 feridos;
Um país enlutado, em suspenso, e uma consternação global;
O fim inesperado para os que partiram, e o primeiro dia de um longo calvário para os que ficaram.







Hable con Ella 
Almodóvar 2002
Música: Alberto Iglesias






Buenos días, dolor!
Ven aqui, junto a mí. Vamos a hablar.



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Sessão única de EMDR
Lisboa, dezembro 2012



Terapia apoiada numa combinação de
Hipnose e EMDR




Madrid, novembro de 2005, durante a frequência da minha primeira ação de formação em EMDR (Significa: Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular), conheci Francisca García Guerrero, Presidenta da Associação Espanhola de EMDR e outros terapeutas, que prestaram apoio às vítimas do 11-M.  

EMDR consiste na dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas por meio de estimulação bilateral do cérebro, a qual promove a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais. Uma abordagem psicoterapêutica poderosíssima, breve e focal, que desencadeia o processo de processamento do registo traumático bloqueado, ou seja, do “nó neurológico”. 

Durante as sessões formativas fomos exercitando as técnicas através da aplicação da abordagem em nós próprios. Obrigatoriamente, todos tinham de identificar um assunto a ser trabalhado. Não tenho nas minhas memórias nada que se pareça com a violência do 11-M ou 11-S em Nova Iorque. Mas todos temos uma ou outra, menor ou maior “Box” de mágoa, remorso, medo, crença paralisante, moinha na alma que teima em não partir, uma perda ou um veneno que não conseguimos largar.

Durante anos a falta de um prato à mesa de jantar fez recordar-me a perda da minha mãe. A repetição do padrão, que inevitavelmente abalou a infância da minha filha, na sequência do meu divórcio, foi uma mágoa que irrompeu na minha vida para me acompanhar. Bastaram vinte minutos, sem grande conversa, de estímulos bilaterais, inicialmente dos olhos, passando aos toques nos membros inferiores e também ciclos nos membros superiores, para completar as sucessivas etapas do protocolo padrão de EMDR. Galopei as fases, naturalmente, sem lágrimas ou sobressaltos. Na altura, já disponha de muita informação, tinha conhecimento de inúmeros casos de sucesso, mas uma coisa é imaginar à partir da discrição dos outros, outra coisa é viver a própria experiência.

Todos os grupos, constituídos por três formandos (terapeuta, paciente, observador), estavam simultaneamente em ação. Houve quem chorasse e dois elementos foram assistidos pela formadora e outros elementos com experiência EMDR no terreno. A caixa de Pandora estava aberta e os males estavam-se a soltar. Comecei a imaginar os pensamentos de alguém que entrasse desprevenido naquela sala. Para mim, que na altura nunca tinha vivenciado uma experiência de libertação de cargas emocionais em catadupa daquela dimensão, tudo aquilo era invulgar, inesperado, sobretudo levando em conta, que todos os participantes eram profissionais praticantes. Eu com a minha formação germânica, que dita que o sofrimento deve ser vivido de forma comedida, na intimidade, que ensina, literalmente, desde a mais tenra idade a levantarmo-nos pelo próprio pé, formado em hipnose clínica por uma escola inglesa, da qual guardo as melhores recordações, mas uma quase ausência de memórias envolvendo lágrimas, observava estupefacto as reações à minha volta. Evidentemente, que a forma que encontramos para exteriorizar os nossos sentimentos terá sempre um cunho cultural incontornável, que permite a nós latinos manifestações emocionais mais ricas, mais libertadoras.

É espantosa a quantidade de bloqueios que acumulamos e carregamos por detrás das aparências exigidas ou involuntárias - inconscientes, resultantes de um percurso feito de acontecimentos e experiências correntes e naturais das várias fases do ciclo de vida. Tal como constitui uma prática corrente o recurso a  aplicações de prevenção de armazenamento e correção de ficheiros maliciosos nos discos rígidos dos nossos computadores, também nós deveríamos, de tempos em tempos, submeter os registos da nossa mente, da nossa alma à uma limpeza "antivírus". Apesar do exímio profissionalismo dos responsáveis, não consegui evitar, naquele dia, um certo desconforto, tendo ficado com uma sensação que traduzida por palavras corresponderá a um: “Afinal, o tão apregoado EMDR é nisto que consiste?”

Encerrados os trabalhos de um longo e intenso dia, precipitei-me rua fora. Estava cansado, o frio seco era cortante e já era noite cerrada. Senti uma solidão a caminho do hotel, sabendo que teria de jantar sem companhia. Quando acedi ao meu "disco rígido" para consultar o ficheiro que tinha passado pelo antivírus EMDR, constatei espantado e incrédulo que efetivamente um sentimento entranhado em mim, desanimador, inútil e constante ao longo de vários anos, tinha sido sanado em menos tempo que a duração do voo Lisboa-Madrid. Em substituição do circuito fechado: impotência-culpa/culpa-impotência, a minha convicção tinha mudado para um discurso muito mais proveitoso e construtivo: “Fiz o que pude fazer. Fiz o que soube fazer. Fiz o que tive de fazer. Vou continuar a fazer por ela tudo o que estiver ao meu alcance, como sempre o fiz.” Experienciei uma enorme leveza, generalizada, no corpo, na cabeça, no coração, que foi notória durante semanas. No dia em que regressei a Lisboa, após uma noite passada numa cama do Lusitânia, apressei-me em direcção à Associação Industrial Portuguesa para iniciar duas das mais intensas semanas de trabalho de sempre, 8 horas diurnas e 4 horas pós-laboral, 6 dias por semana, a assegurar acções de formação distintas, em termos de destinatários e conteúdos. No entanto, a minha energia era como se eu estivesse dopado, protegido por um firewall anticansaço. A fadiga tardou a chegar, mas acabou por se fazer sentir.

A mudança, essa ficou gravada - até hoje! 
JB







"Sarar Feridas Emocionais"
Joaquim Bule,  IAMPS2015

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EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular) - Psicoterapia do Stress Pós-Traumático, Ansiedade, Fobias, Pânico e Depressão.



Joaquim Bule é terapeuta certificado pelo EMDR Institute, California, EUA desde 2006.




A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu e distinguiu a terapia EMDR como um dos tratamentos mais indicados para o tratamento de perturbação de stress pós-traumático.

A recomendação diz:
“Individual or group cognitive behavioural therapy (CBT) with a trauma focus, eye movement desensitization and reprocessing (EMDR), or stress management should be considered for adults with posttraumatic stress disorder (PTSD).”
“Individual or group cognitive behavioural therapy (CBT) with a trauma focus or eye movement desensitization and reprocessing (EMDR) should be considered for children and adolescents with posttraumatic stress disorder (PTSD).”







Aplicação Clínica do EMDR:  
  • Traumas e Stress Pós-Traumático, resultante de abusos sexuais ou estupros, assaltos, violência física ou psicológica, acidentes, sequelas de guerra e de desastres naturais, e outros acontecimentos com impacto traumático.
  • Luto depressão;
  • Fobias e ataques de pânico;
  • Dor crónica.



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TSUNAMI 2004






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http://emdrspain.wordpress.com/2012/06/19/el-trastorno-bipolar-o-la-depresion-cronica-pueden-estabilizarse-con-la-terapia-emdr_-conclusiones-congreso-emdr-europa/

El trastorno bipolar o la depresión crónica pueden estabilizarse con la terapia EMDR - Conclusiones Congreso EMDR Europa (Madrid, junio 2012)