ANSIEDADE

MÁSCARAS DO MEDO

“Síndrome de Abraracourcix"


Quando penso em ansiedade vem-me à memória uma personagem das hilariantes aventuras de Astérix, o chefe da aldeia gaulesa, Abraracourcix, um homem destemido que só tem um medo, um verdadeiro pavor: que o céu caia sobre a sua cabeça. O termo médico para este temor é Uranofobia.

A nomenclatura psiquiátrica de FOBIAS é extensa e o leque de medos é ainda maior. É apelidado de fobia qualquer medo desmesurado, irracional, que escapa ao controlo voluntário, associado a um objeto ou situação concreta.

Também neste campo, julga-se que a componente genética possa ser significativa em potencializar as referidas manifestações de ansiedade. No entanto, a existência dessa predisposição nata, se for o caso, não poderá de forma alguma servir de álibi para a inércia, uma aceitação fatalista da tirania das fobias. 

Existem fobias que têm como base experiências com impacto traumático. Outras foram-nos passadas por terceiros. São múltiplas as causas que podem contribuir para o aparecimento e crescimento destes medos limitadores e que são parte integrante da nossa zona de controlo ou de influência, que podemos atenuar ou até eliminar. Cultivar a arte de lidar adequadamente com as pressões e desafios do dia-a-dia é, sem margem para dúvidas, a melhor prevenção.

O medo tem a função de proteção, antecipa os perigos, aciona a reação de luta ou fuga e em alguns casos de impotência percecionada, paralisa a ação – o indivíduo fica petrificado. Contudo o carácter enigmático do comportamento fóbico não se coaduna com o intento de dispositivo de sobrevivência descrito. 

Na sua essência, o medo é uma corrente de energia que se lhe for vedada a atuação sobre o seu alvo original, tentará a libertar-se por outras vias. A tensão do temor é jogada contra um adversário, objeto ou situação inócua, e o confronto real é adiado mais uma vez. É de toda a conveniência atender estes sinais com o mesmo desvelo que é dedicado aos alertas emitidos pelas dores físicas.

A Hipnoterapia permite construir o enquadramento de segurança desejável e muscular a autoconfiança para o fóbico prescindir da mascara do seu medo e crescer numa relação construtiva com esse companheiro que obriga a todos nós repensar o que julgamos adquirido e a trilhar novos caminhos.

Não temos de ser celtas para em determinadas ocasiões temermos que até o céu vá desabar sobre as nossas cabeças. Numa época caracterizada pela insegurança é imperativo cuidarmos do nosso jardim interior, desse refugio tão poderoso, para em nós encontrarmos a serenidade necessária à nossa realização



























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ANSIEDADE 2

O MEDO DO MEDO




Estava um dia quente. Lisboa brilhava banhada na sua singular luz cristalina. Eu comia no restaurante habitual, julgava estar bem e nada faria antever um almoço diferente de todos os outros. Subitamente senti-me incomodado com o espaço fechado. As paredes brancas, a luz artificial agressiva, as pessoas à volta dos seus pratos como galinhas num aviário, tudo naquele instante se conjugava para um sufoco em crescente.

Seguiu-se um turbilhão solitário de sensações até ai desconhecidas. A primeira alteração foi assinalada pela perceção consciente dos batimentos de um coração leal cuja competência em manter a cadência eu tive a ousadia de questionar. Seguiu-se o receio de uma desorientação respiratória, como se estivesse a desaprender a respirar. Dei pelo raciocínio lógico a ser intercalado por pensamentos próprios de um sonâmbulo, a efabular com a possibilidade de um descontrolo das funções vitais e da mente. Percebi instantaneamente que o abandono daquele local seria uma mera solução temporária, porque o aperto, na realidade, era interior – da alma. Larguei a comida a meio e dirigi-me em direção à porta para reconquistar a luz do dia, um lugar ao sol, decidido em sair daquela “caixa” em que me tinha refugiado. Chegado à rua respirei prazerosamente de alívio e dirigi o meu olhar para o imenso azul sobre mim.

O episódio relatado coincidiu com o período de luto pela perda inesperada do meu pai, que se tornara a minha retaguarda incondicional após a morte prematura da minha mãe. Apesar de não ter ficado parado e ter-me lançado na resolução dos aspetos práticos, nesse dia o meu corpo passou-me o sinal de que tinha chegado a altura de reencontrar-me como um todo coeso no Aqui e Agora. O restaurante foi simplesmente o rastilho disponível para detonar a carga de tensão acumulada debaixo da aparente normalidade.

A determinação nascida da necessidade consciencializada de reconciliar-me com a vida, bela e arisca, e os dias vividos de umas férias modestas, tranquilas, rodeado de mar, de sol, de alegria e de boa companhia, asseguraram a viragem. Nunca mais voltaria a experimentar algo semelhante.

No verão de 1999 pouco sabia sobre crises de ansiedade. Só anos mais tarde, com a minha iniciação na hipnoterapia é que recordei o descrito almoço como um prenúncio de um Ataque de Pânico.






ANSIEDADE 3
100 MEDO


 1º PASSO - IMAGINAR

Quanto antes encarar de frente estes sintomas mais simples será desembaraçar-se dos mesmos. A ausência de uma resposta adequada pode levar à agudização das crises, na frequência, intensidade e conduzir a uma generalização dos estímulos desencadeadores. A mera recordação das sensações de aflição pode despoletar um novo episódio de pavor. O medo do medo passa a reinar, sem necessitar de um pretexto.


Como em tantos outros desafios o segredo está no "como", para que o "impossível" se torne possível.

 
Caminhar ileso sobre o fogo depende de uma combinação de:
  • Má condução do calor por parte do carbono;
  • Isolamento térmico assegurado por uma camada de cinzas;
  • Curto intervalo de tempo de passagem sobre as brasas.


Já todos apanhamos num ou outro momento "brasas" no caminho, que soubemos suplantar.  





2º PASSO - ATUAR


As pessoas que tendem a responder às adversidades da vida com níveis de ansiedade que as fragilizam, serão mais bem-sucedidas, se souberem usar apropriadamente os seus preciosos recursos. Parte dos ingredientes internos na formação do desespero são os mesmos da arquitetura da felicidade, com destaque para a capacidade imaginativa. Quem sofre de uma ansiedade paralisante, antecipa e atrai o que mais teme. É a imaginação que faz nascer os grandes feitos, as obras-primas antes destas se tornarem visíveis, audíveis, experiências sinestésicas que deliciam os demais.


A Hipnoterapia ensina a transpor as provações da nossa condição e próprias de cada etapa do ciclo da nossa existência com maior leveza, orientando a imaginação para fora da Box, ao encontro daquilo que nos move, que faz bater o coração mais alto. Abra as comportas da barragem à imaginação, aos talentos, ao seu tanto querer e assista ao germinar dos seus propósitos, a colorirem as margens desse rio em movimento. A hipnose acompanha-o até um local, que lhe permitirá o encontro consigo mesmo para nunca mais sentir-se só. As forças que convergiam em pesadelos, passam a ser as águas que conduzem até aos sonhos. 






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Amar um mundo que não é o Jardim de Éden, nem uma escuridão eterna sem aurora, depende sobretudo da perseverança, imaginação, determinação, leveza e coragem de cada um de nós. Concluo com as sábias palavras que culminam o romance de Voltaire de 1759, Cândido, ou o Otimismo: “Cela est bien dit, répondit Candide, mais il faut cultiver notre jardin.”



Neelima Perni - Inner Sanctuary

3º PASSO - DESFRUTAR




O repto está lançado: 
Cuidar do nosso Jardim!

JB








Made a wish
I can dream
I can be what I want to be
Not afraid to live my life
And fulfil my fantasies

I learnt a lot of tricks to help me live my life


FOBIAS

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