quinta-feira, 16 de julho de 2015

REGRESSÃO VIDAS PASSADAS




Já alguma vez, enquanto conduzia numa autoestrada, assistia a uma apresentação, entrava numa música através da dança ou simplesmente contemplava o rebentamento das ondas, chamou a si alguém do passado e mergulhou no seu perfume, no toque dos lábios, no som da sua voz, nos seus movimentos, no seu sorriso ímpar, no seu olhar? Teve a sensação de um tempo em suspenso, de um corpo que conduz ou dança autonomamente, de uma mente que se emancipa, flutuando no limiar do inconsciente? Se as suas respostas forem afirmativas, estará neste preciso momento a recordar uma vivência regressiva.


 Salvador Dalí - A Persistência da Memória



Quando faço referência ao meu trabalho no âmbito da hipnose clínica a questão mais imediata, quase previsível, que me é dirigida, aponta para o enigma das supostas vidas passadas e respetivas regressões. Uma curiosidade comum, natural, fruto das interrogações em torno da consciência de um destino universal, a inevitabilidade da morte.

Em relação ao corpo não restam dúvidas. O corpo físico, segundo afirma a teoria quântica, é virtual, como toda a matéria é virtual, formada pelas flutuações de energia do vácuo quântico, pares de matéria e antimatéria não observáveis. E a alma, a consciência, o espírito?

Tanto a igreja católica como os protestantes em geral denunciam a crença na reencarnação como herética. As teses reencarnacionistas não encontram apoio na tradição judaico-cristã, cuja ortodoxia doutrinária as considera, importações de outras tradições, tal como o hinduísmo e o budismo. A eternidade joga-se numa só vida, sem margens para a procrastinação da redenção do pecador, sem prolongamentos ou repetições e sem épocas de recurso para melhoria de nota.

Cresci rodeado de uma cultura avessa a questões esotéricas, tanto no seio familiar como fora dele. Passei a minha infância e adolescência numa Alemanha apostada na educação, ciente de esta ser a melhor aliada para banir a reedição de uma manipulação coletiva, cuja memória dolorosamente estava omnipresente. Éramos incentivados a interrogar tudo. Nenhuma fonte poderia ser inquestionável. Lembro-me do brilho nos olhos de alguns dos meus professores, quando éramos particularmente incisivos na análise e criativos na contra-argumentação. Esta primazia dialética, racional, cimentou uma postura pragmática perante os desafios da vida e uma atitude crítica, se não distante, perante o inexplicável. Durante anos encarei qualquer incursão de estudo por este oceano, como um propósito sem porto à vista, mais suscetível de perturbar do que aliviar a nossa caminhada.







VIDAS PASSADAS 2


Vladimir Kush - Céu


Apesar de tendencialmente navegar à costa, não posso deixar de reconhecer um conjunto significativo de acontecimentos cruciais na minha vida, que se anteciparam na minha consciência de uma clareza e precisão matemática. Pontaria intuitiva? Certamente. Mas será que conhecemos todos os ingredientes na génese dessa intuição?

Posso-me reportar a experiências únicas, em primeira mão, vivenciadas individualmente e coletivamente, sem as ter procurado, para as quais não encontrei nem ninguém me soube dar uma explicação cabal. Não tenho a pretensão de insinuar uma transposição para o que quer que seja, essa não é a minha missão.

Acima de tudo temos de acreditar em nós próprios, naquilo que depende de nós. A cada dia que passa reestabelecer o nosso equilíbrio interior, para realizarmos a nossa caminhada com o menor peso e a maior satisfação possível. O que não exclui, em prol desse mesmo equilíbrio, combatermos todo o tipo de tabus que nos pretendem enclausurar entre os seus muros e acenam com a ameaça da estigmatização. Podemos sem complexos discutir estes assuntos, como qualquer outro.

A nossa perceção é seletiva, socorre-se de filtros, perante a impossibilidade de processar simultaneamente e conscientemente todos os estímulos internos e externos. A “verdade” resulta da descodificação, através do software exclusivo de cada um, dos inputs escolhidos. Quem ama a “verdade” quererá conhecer outras “verdades” para poder ampliar o seu ângulo de captação, aprimorar os sentidos, como um músico, um enólogo. Tendemos a rezar mecanicamente pela cartilha do caminho mais curto ou das convicções dominantes.

Existem exercícios simples que auxiliam a explorar o alcance da nossa intuição, que será objeto de um próximo post. Podemos dar por certo a existência de uma outra verdade, seja ela qual for, por trás da realidade empírica, registada pelos nossos sentidos, ou pelos recursos tecnológicos atualmente existentes.

Não cabe ao terapeuta validar qualquer que seja a regressão, incluindo as referentes à existência presente. Independentemente da autenticidade histórica das memórias de vidas passadas, como de qualquer outra memória, elas são parte integrante do seu mundo interior, como os pesadelos, sonhos, medos e desejos. Tenham ou não justificação à luz da razão, elas existem, são suas, enquanto estiverem presentes, produto de um processamento em curso ou com a finalidade de captar a sua atenção, transmitir algo, alavancadas por alguma necessidade.

Na presença de conteúdos perturbadores ignorar estes alertas pode conduzir a um quadro sintomático agravado. Experimente cultivar o hábito de escutar o seu corpo, o seu self, como um pai providente faria.







VIDAS PASSADAS 3


Cada um de nós vive uma experiência de vida passada, de acordo com as suas características pessoais: uns “a cores”, outros “a preto e branco”, com toda a panóplia de variações naturalmente presentes em relatos de um mesmo acontecimento testemunhado por diversas pessoas. Essas discrepâncias tendem a evoluir proporcionalmente em função da carga emocional que o assunto suscita. Caso seja apropriado, um terapeuta hábil e consciente saberá proporcionar o enquadramento desejável para uma experiência desta natureza, segura e libertadora.

Os traumas (ver rubrica: trauma) são os alvos de grande parte das regressões.

Nesta sequência, parece-me de toda a conveniência fazer referência ao fenómeno das chamadas memórias falsas. A nossa mente tende a preencher as lacunas de registo, como não poderia deixar de ser, à sua maneira. Por vezes basta viver um acontecimento como espectador ou através de um relato para nos projetarmos no enredo, com todas as repercussões que essa identificação acarreta, que podem ser traumáticas.

Outro aspeto a ser tido em conta, é o facto de as nossas “fitas caseiras” terem uma vida própria, caracterizada por uma mutação incessante, que oculta, desvela e volta a baralhar diagramas, ângulos e mensagens. O próprio espectador sofre transformações entre visionamentos: os óculos que dispõe não são rigorosamente os mesmos, ou é da graduação, ou das cores das lentes; a distância de visionamento escolhida pode ser outra - tudo tende a mudar. Evidentemente que existem memórias que resistem largamente ao passar do tempo, como poderá ser o caso de recordações altamente gratificantes ou traumáticas.




Shantanu Majumder - Nostalgia


Acompanhei diversas regressões espontâneas a vidas passadas, assim como à vida intrauterina, para as quais o sujeito não tinha sido expressamente induzido. Outras foram acordadas e seguiram o script escolhido.

Recomendo a todos os que chegaram na sua leitura até aqui uma pesquisa sobre o ímpar trabalho nesta área do psiquiatra norte-americano, Prof. Ian Stevenson. Por último, para aqueles que fizeram a pesquisa sugerida e continuam a achar o assunto de interesse, aconselho a leitura do testemunho de uma mãe – Carol Bowman: As Crianças e as suas Vidas Passadas, Pergaminho 2003.

As práticas regressivas, embora constituem ferramentas poderosíssimas e sejam as mais mediatizadas, representam uma pálida amostra das inúmeras abordagens e áreas de atuação que a hipnose clínica atual compreende para metamorfosear o

LIVING em LEAVING THE BOX!

JB




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Mário Simões
professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Lisboa







Ian Stevenson, M.D.
Director, Division of Personality Studies
Department of Psychiatric Medicine
University of Virginia
“Children Who Claim to Remember Previous Lives”


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Reincarnation research by Ian Stevenson
Children's Past Life memories 


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Vida Antes da Vida - Jim B, Tucker
(Editor: Sinais de Fogo, Ano de edição: 2007, C.I.: 00000179072, http://www.bulhosa.pt)



As supostas memórias de vidas passadas podem ser fruto da nossa imaginação, de supostas memórias genéticas, ou de vidas anteriores. O trabalho pioneiro de Ian Stevenson, que faleceu em 2007, pautou-se sempre pelo rigor imprescindível de uma investigação ao serviço do conhecimento. Jim Tucker, um psiquiatra infantil e professor associado de psiquiatria e ciências neurocomportamentais da Universidade de Virgínia, tem dado continuidade ao trabalho de Ian Stevenson, concentrando-se em casos de crianças norte-americanas. 

"Os casos não são “provas” e sim “indícios”. Dado que o trabalho se fez em nosso conturbado mundo real e não num laboratório sujeito a rígidos controlos, as provas não são aqui possíveis. Isso acontece muitas vezes em ciência e medicina. Por exemplo, alguns medicamentos são considerados eficazes porque a evidência indica que funcionam mesmo não tendo sido provado. O nosso trabalho também envolve uma área – a possibilidade de vida após a morte – que não se presta de bom grado à pesquisa. Algumas pessoas chegam a dizer que os pesquisadores não deveriam tentar estudar cientificamente o tema da vida após a morte porque ele está muito distante das usuais áreas empíricas de investigação. Entretanto, não há questão maior no mundo que a de saber se poderemos sobreviver à morte e os pesquisadores tentaram coletar os melhores indícios possíveis para responder a ela, indícios que compartilharei com o leitor" (Jim Tucker – Vida antes da Vida, p.19)




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Brian Weiss é um conceituado neurologista, psiquiatra norte americano. Suas pesquisas incidem sobre reencarnação e terapia de vidas passadas.

Weiss graduou-se na Universidade de Medicina de Yale. É atualmente o presidente emérito do Departamento de Psiquiatria da Mount Sinai Medical Center, em Miami, e professor clínico associado do curso de psiquiatria da Universidade de Medicina de Miami.