sexta-feira, 17 de julho de 2015

HIPNOSE ANIMAL E HUMANA

http://www.dailymail.co.uk/news/article-1265954/Is-bunny-hopping-mad-Its-time-rabbit-whisperer.html



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Hipnose, imobilidade tónica e eletroencefalograma (EEG)

(A imobilidade tónica (IT), também conhecida como "morte simulada", ou catalepsia, é um estado natural de paralisia em que alguns animais entram, na maioria dos casos quando estão perante uma ameaça.) 



Objetivo

Apresentar uma revisão sobre as características da atividade elétrica cerebral que acompanha a hipnose animal, estado induzido em laboratório em mamíferos por manipulações experimentais, bem como sobre as alterações encontradas no EEG (eletroencefalograma) durante o estado de hipnose, visando à discussão dos resultados encontrados na busca de evidências dos fundamentos filogenéticos que possam conduzir ao entendimento dos rudimentos neurais da hipnose humana.


Extratos do Estudo

"O estado de IT também pode ocorrer em humanos, em situa­ções de intenso choque, como resposta defensiva3, e, e suas conse­quências têm sido discutidas por estudiosos da Perturbação de Stress Pós-Traumático (PSPT)."
 

"A hipnose humana também pode funcionar como um mecanismo defensivo em situações adversas. Variações observadas no eletroencefalograma (EEG) durante o relaxamento hipnótico (RH) refletem uma estabilização da atividade elétrica cortical que pode significar um recurso natural de importante papel protetor, não só durante a locomoção rápida e de longa duração, mas também em casos de exposição a intenso stress27,28. O RH previne a excitação provocada por estímulos desagradáveis, pois facilita a atividade parassimpática; efeito que pode ser ampliado na hipnose28-34. Além disso, no EEG há um aumento da atividade de baixa frequência e alta voltagem, ondas dos tipos alfa (escala de frequência de 8-12 Hz) e teta (4-7 Hz)35-37, que representa o relaxamento mental38." 

"Qualquer estado de profunda atenção obtido voluntariamente é considerado um estado de hipnose, característico de indivíduos capacitados para o monoideísmo (fixação em uma única ideia)44-46." 

"A IT é promovida por mecanismos neurais ativos que atuam inibitoriamente sobre neurónios motores no sistema nervoso segmentar. O resultado dessa ação é um decrescimento na atividade corporal do animal, podendo ocorrer posturas bizarras, redução das respostas a estímulos externos e ausência de reflexos, embora o animal mantenha o grau de vigilância adequado para o monitoramento ambiental15,17. Desde os primeiros registros eletroencefalográficos em coelhos, que mostraram a presença de ondas elétricas cerebrais de baixa voltagem (nível de 100 µV), típicas da vigília, nenhuma dúvida restou quanto ao fato de que animais em IT não estão dormindo15."

"Como mencionado anteriormente, apesar da imobilidade muscular de variado grau de tonicidade, indivíduos hipnotizados (hipnose humana) preservam a capacidade cognitiva, estando em um estado de atenção de alto poder de seletividade."


"A hipnose humana pode apresentar respostas fisiológicas e comportamentais também observadas na hipnose animal, tais como a imobilidade física, adoção de posturas incomuns, ausência de reflexos, além de redução da sensibilidade, incluindo nocicepção (
Processo de perceção e transmissão de estímulos que causam dor.), com a preservação da capacidade de monitoramento ambiental41-43."

"A existência de uma relação direta entre a capacidade de atenção e a SH (suscetibilidade hipnótica) tem sido evidenciada, corroborando com a observação de hipniatras (médicos que exercem a hipnose) e hipnoterapeutas de que quanto maior o domínio do indivíduo sobre sua atenção, mais alta é a sua SH."

"Rainville reforça a ideia corrente de que no estado de hipnose podem advir lembranças de imagens, sentimentos e situações de difícil ou impossível evocação fora da hipnose, além de permitir a reedição da experiência perceptual."

"Considerando o estado de hipnose como um mecanismo defensivo e adaptativo27-34 com uma raiz filogenética no estado de IT, é esperado que suas características possam evoluir ou mudar ao longo de uma série de sessões, como acontece neste último. Contribuindo com essa ideia, os resultados de Batty et al.110 mostraram a ampliação do grau de SH com o treinamento hipnótico e a melhora da performance de pessoas em tarefas dependentes da atenção26."  

 
Conclusão 

A riqueza de alterações no EEG observadas ao longo de uma sessão de hipnose humana é apreciável. Desde o fechar dos olhos, para um relaxamento físico progressivo, até as respostas a sugestões verbais e o retorno ao estado basal, o EEG mostra importantes variações de uma fase para outra e aponta respostas distintas entre indivíduos de alta, moderada e baixa SH (suscetibilidade hipnótica).

A SH envolve uma dinâmica cortical que inclui a capacidade modulatória espontânea de circuitos neuronais amplamente distribuídos por toda superfície cerebral. Cada área dessa distribuição contém circuitos e redes neuronais vinculados por uma dinâmica particular que define uma característica funcional específica e faz parte do conjunto de características que compõem o perfil fenomenológico do estado de hipnose.

O estado de hipnose humano resulta de processamentos diversos, ocorridos em inúmeros circuitos paralelos, distribuí­dos em uma complexa rede neuronal, envolvendo, dessa forma, extensa área encefálica. Essa complexidade resulta, sem dúvida, dos inúmeros mecanismos adaptativos que se desenvolveram ao longo da evolução, podendo a hipnose humana ter como rudimento neurofisiológico os mecanismos primitivos presentes na resposta comportamental de IT (imobilidade tónica) animal, que ainda está presente nos humanos.

Vários estudos têm evidenciado mecanismos neurofisiológicos, tais como alterações em estruturas de relações neuronais causadas pela hipnose, que podem ser avaliados para reforçar a visão da hipnose não só como um eficiente recurso para procedimentos médicos e odontológicos, funcionando como auxiliar na analgesia e sedação, mas também como excelente ferramenta psicoterapêutica.


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