quinta-feira, 14 de novembro de 2013

CRIAÇÃO ARTÍSTICA - RACHMANINOFF




















Compor é uma parte tão essencial do meu ser como respirar ou comer.
No papel anoto a música interior que escuto.”

"A música é o suficiente para uma existência,
mas uma existência não é suficiente para a música."
 
Sergei Rachmaninoff
(1873-1943)





Rachmaninoff mergulha, em 1897, numa depressão profunda logo após o fracasso da estreia da sua Sinfonia Nº 1. Retira-se da vida pública, derrotado e assombrado por pensamentos suicidas. Seguem-se mais de três anos de travessia no deserto. É durante esse período, que o compositor procura o psiquiatra russo Nikolai Dahl especialista em hipnose, amante da música e um competente violoncelista amador, a quem atribuiu a reabilitação da sua autoconfiança, dedicando-lhe o concerto N.2 para piano e orquestra, feito belo, brilhante, um diamante do romantismo tardio, que hoje é a sua obra mais popular. A peça teve um sucesso estrondoso.

"Pode parecer incrível, mas o tratamento com o doutor Dahl foi fundamental para que novas ideias musicais brotassem da minha alma."


Nikolai Dahl ressuscita no jovem compositor a autoconfiança ao convencê-lo, num trabalho de sessões diárias durante quatro meses, através de hipnose, a criar um novo concerto para piano. Durante as sessões o Dr. Dahl repetia incessantemente frases como: "Vais compor um concerto de piano. Compô-lo-ás com a maior das facilidades, naturalmente, ser-te-á tão fácil. Será uma música de uma sensibilidade, de um requinte extraordinário."

Devolvida a vontade de viver para a música ele compõe o seu Segundo Concerto, entre finais de 1900 e Abril de 1901, de forma febril. O concerto estreia-se a 9 de Novembro de 1901 com o compositor ao piano. O sucesso dessa obra inaugura um período de grande produtividade para o compositor que culminaria com o concerto para piano no. 3 e o poema sinfónico “A Ilha dos Mortos”, ambos de 1909 e feitos especialmente para uma tournée pelos EUA.






Rachmaninoff é talvez mais conhecido pelo seu segundo, C minor, Op. 18, concerto para piano e orquestra, o mesmo que ele dedicou  ao Dr. Nikolai Dahl, popularizado no filme “Desencanto” (Brief Encounter, 1945, GB, A história de um amor "impossível") eO Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch, 1955, EUA, filme em que o vestido cor de marfim de Marilyn Monroe é levantado na rua por um jato de ar vindo do respirador do metro), inspiração para a canção pop de Eric CarmenAll By Myself de 1976, posteriormente interpretada por Celine Dion, e em 2001 voltou a marcar presença no cinema  durante as cenas de abertura deO Diário de Bridget Jones (Bridget Jones's Diary, GB).




Justaposição da gravação original de Eric Carmen "All By Myself" com a de Rachmaninoff Concerto No. 2, Orquestra Sinfónica de Budapest.




Watson Lyle, Rachmaninoff: A Biography, William Reeves, London, 1939 (ML410.R11.L98.1976)

Rachmaninoff sees a hypnotist (pp. 109-113)

… The delay in writing the new (second) piano concerto was due to a recurrence of his creative dullness and physical inertia, … Thus existence dragged through for him … all through 1899 until the year waned, when a psycho-analyst named Dr. N. Dahl, created a considerable stir in Moscow by the success of his cures of various nervous troubles by means of hypnotic suggestion. The Satins induced Rachmaninoff to consult him. From the beginning of January 1900 until April, he went daily to Dr. Dahl to receive treatment while lying in an hypnotic doze in an easy chair in the doctor's apartment. This treatment consisted of the almost ceaseless repetition to him of the words: "You will begin to write your concerto... You will work with great facility... The concerto will be of an excellent quality..."

So remarkable was the success of this principle of auto-suggestion over the inertia of his inner self that his creative powers began to function by the beginning of the summer. He wrote anew with increasing fluency. Ideas and thematic material welled up with all the facility of those now so seemingly far-off days when he wrote "Aleko" in little over a fortnight. The andante and finale of the C minor Concerto, Op. 18, came to him in this way, before the opening movement, and were completed by the autumn of 1900, …

The No. 2 in C minor Piano Concerto was completed by the spring of 1901, and also the Suite, Op. 17, for two pianofortes, briefly sketched out the previous autumn. As already mentioned the concerto received its first performance in England at a London Philharmonic concert of 1902, the soloist being Basil Sapellnikoff. Rachmaninoff dedicated the concerto to Dr. Dahl as an expression of his gratitude for the success of his care. As no one saving the doctor, the patient, and his cousins knew of the "cure" there was considerable speculation as to the reason for the dedication. The completion of this large work shattered whatever remained of an inferiority complex in the psychology of Rachmaninoff (Tradução:A conclusão desta grande obra quebrou o que restava de um complexo de inferioridade na mente de Rachmaninoff.).